O sertão por fora e por dentro

Tropa no norte de Minas. Foto Lorenzo G. Bagini

Sertão tem vários significados em português e vale notar que é uma palavra que ganhou vulto a partir das colonizações ultramarinas de Portugal – África, Ásia e Brasil. Sertão provavelmente vem de “desertão”, de semi-árido, mas também abarca a ideia de interior, como no caso das paragens do ouro das minas gerais, do cerrado, do interior da mata atlântica e até da Amazônia… Em nosso país sertão é um conceito que também se constrói na vivência do colonizador em busca do interior rico em tesouros. Portanto o sertão é um deserto de gente, deserto de civilização; lugar desconhecido, lugar selvagem, lugar da aventura…

 

Será que hoje ainda tem sentido falarmos em sertão de forma ampla, como sinônimo de lugar desconhecido e de aventura? O poema “O homem; as viagens”, de Carlos Drummond de Andrade, retrata com maestria o paradoxo do explorador, sentenciando que só resta ao homem moderno “pôr o pé no chão do seu coração”…

 

Mas não, o sertão do Brasil hoje é ainda um lugar de redenção… Redenção da civilização, redenção de si mesmo. A simplicidade do povo sertanejo, a beleza da natureza ainda não totalmente domada, os grotões selvagens de mata, de campos limpos, de caatingas… Essas paisagens são o nosso patrimônio cultural e espiritual mais profundo!

 

O sertão, felizmente, ainda existe e representa precisamente o desafio da modernização do nosso país. O desafio de integrar uma rica cultura e natureza ao “desenvolvimento”, à demanda de energia elétrica que alaga a Amazônia, à demanda chinesa de soja que desmata o cerrado…

Sertão é a minha esperança e inspiração. Acredito no poder da natureza selvagem, que cura nossas chagas esquizotécnicas, que nos dá paz, que nos faz ver as estrelas ao lado de uma fogueira no acampamento. Esse é o sertão que eu busco.

 

Acredito, portanto, que a palavra sertão continua atual, poderosa e cheia de imaginações de aventura e descoberta.

 

O sertão está em toda parte, o sertão é dentro da gente” João Guimarães Rosa

 

Vereda no norte mineiro. Foto Lorenzo G. Bagini

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