Relato da expedição de caiaque

Canoagem Furnas

Por Pedro Manzano.

Eu nunca havia me considerado um aventureiro – costumava preferir o conforto de casa às incertezas da natureza, pelo menos até ouvir uma pequena “palestra” do Lorenzo, da Sertão Expedições. Nessa palestra Lorenzo contou sobre suas viagens e sobre o porquê da aventura, para vencer a si mesmo, ver e provar a si que é capaz de fazer as coisas e sentir a satisfação de ter se superado.

Aquilo sem duvida ficou marcado em minha cabeça, mas só mais tarde surgiu uma oportunidade em que pude experimentar tais sentimentos e desafios na pele: uma expedição de caiaque na represa de Furnas; logo me inscrevi, e aguardei o dia de partida.

Acordei cedo e fui a um ponto de encontro e lá tudo começou. Viajamos algumas horas de carro até uma pequena cidade à beira da Represa do Estreito (parte do sistema de represas de Furnas). Lá encontramos outros dois companheiros que traziam os caiaques. Ficamos um tempo carregando os caiaques com tudo que iriamos levar nos próximos dias e depois de uma breve instrução de remo partimos rio adentro.

Nos primeiros momentos da remada ainda contávamos com a companhia de outras pessoas e de vários ranchos nas margens do rio, porém rapidamente os sinais de civilização se esvaíram e nos encontramos apenas nós (um grupo de nove pessoas), os caiaques e o mundo. À medida que a remada prosseguia nos embrenhávamos mais e mais na natureza e pelo fim da tarde chegamos ao primeiro acampamento: uma praia deserta, onde após jantar e contemplar a imensa noite ao lado de uma fogueira, tivemos a primeira noite de sono.

Os próximos dias se seguiram com uma rotina onde acordávamos, tomávamos café da manhã, levantávamos acampamento e partíamos para outra parte distante da represa ou para explorar a região em que estávamos. Durante as remadas descobríamos lugares maravilhosos, onde talvez fossemos alguns dos únicos que puderam ver. Como em um dia em que estávamos explorando uma parte da represa e adentramos um riozinho muito raso, onde um barco maior não passaria e ali, à medida que prosseguíamos, flores e pássaros apareceram na mata que passava por cima de nossas cabeças e no fim encontramos uma maravilhosa cachoeira. Naquele momento fiquei perplexo com a beleza daquilo tudo.

Cada uma das diversas cachoeiras que encontrávamos era especial, assim como cada uma das paisagens, e em cada uma eu sentia o prazer nos braços cansados da remada, de ter chegado até elas e toda noite, apesar de cansado, eu ficava ansioso para o próximo dia! Agora eu compreendia a “palestra” que havia me motivado: remar várias horas durante seis dias pode parecer cansativo para alguns, mas este cansaço vira felicidade quando se está vendo o por do sol em cima de uma cachoeira e se sabe que não chegou ali a motor e sim com seu próprio esforço e força de vontade, algo tão raro hoje em dia.

Pedro Manzano gosta de música, aventuras e busca viver a vida de uma forma mais verdadeira.

 

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